Artigo - A importância histórica e econômica do Comércio em Manaus e no Estado do Amazonas

Fecomércio AM divulga horário de funcionamento do comércio no feriado de aniversário de Manaus (24/10)

Dr. Max Cohen

Economista da FECOMÉRCIO AM

O comércio sempre ocupou posição central na história econômica de Manaus e do Estado do Amazonas, desempenhando papel fundamental na integração da região amazônica ao restante do país e ao mercado global. Desde o período colonial até a atualidade, as atividades comerciais moldaram o desenvolvimento local, influenciando diretamente a urbanização, a dinâmica social e o crescimento econômico.

No século XVIII, muito antes do ciclo da borracha, Manaus já despontava como um simples "porto de lenha", nome dado devido à principal atividade econômica local ser o abastecimento das embarcações a vapor com madeira utilizada como combustível. Esse porto, estrategicamente situado na confluência dos rios Negro e Solimões, passou gradualmente a exercer um papel comercial significativo devido à sua localização privilegiada como ponto de encontro de rotas fluviais essenciais para o transporte e comércio de produtos regionais.

A partir da metade do século XIX, com o início do ciclo da borracha, Manaus viveu um intenso período de prosperidade comercial. O látex amazônico ganhou relevância internacional, tornando-se o principal produto comercializado pela cidade. Nessa época, o comércio cresceu exponencialmente, levando à construção de grandes mercados, casas comerciais e ao desenvolvimento de uma infraestrutura portuária significativa. A população da cidade multiplicou-se rapidamente, refletindo a importância econômica do comércio, que tornou Manaus uma das cidades mais ricas e dinâmicas da América do Sul naquele momento histórico.

Com o fim do ciclo da borracha, nas primeiras décadas do século XX, Manaus enfrentou um declínio econômico profundo. No entanto, mesmo nesse período, o comércio continuou desempenhando um papel fundamental para a sobrevivência econômica local, sustentado por atividades extrativistas menores e pela comercialização de produtos regionais como castanhas, madeira, peixes e fibras naturais.

Em 1957, buscando revitalizar a economia da região, o governo federal estabeleceu Manaus como porto livre, a partir da proposta do Deputado Federal Francisco Pereira da Silva e da sanção do Presidente Juscelino Kubitschek. A iniciativa impulsionou o comércio local com a importação facilitada de bens de consumo, armazenamento, beneficiamento e retirada de produtos estrangeiros.

Com a implantação da Zona Franca em 1967, Manaus tornou-se rapidamente um polo comercial destacado nacionalmente, atraindo consumidores de todo o país interessados em produtos importados com preços competitivos. Lojas, shopping centers e mercados locais passaram a oferecer uma ampla variedade de bens, especialmente eletroeletrônicos, produtos de informática e artigos de luxo. A atividade comercial cresceu consideravelmente, movimentando a economia e tornando-se o principal setor econômico da região amazônica.

Os números ilustram claramente a importância do comércio ao longo dos anos. Dados históricos mostram que, já na década de 1970, o comércio respondia por cerca de 60% da economia local, superando significativamente a indústria, que ainda dava seus primeiros passos. Nos anos 1980 e 1990, essa predominância comercial se consolidou. Mesmo com o crescimento industrial, o comércio continuou sendo responsável por cerca de 65% do PIB regional.

Nas últimas décadas, a relevância do comércio para a economia amazonense permaneceu elevada. A cidade de Manaus hoje mantém um polo comercial importante que atrai visitantes de toda a região Norte. Shoppings, galerias e ruas comerciais empregam diretamente milhares de pessoas e sustentam uma vasta cadeia econômica regional, que inclui transporte, serviços logísticos, hotelaria e turismo. Em períodos sazonais, como o Natal e o Dia das Mães, as vendas comerciais podem crescer até 40%, evidenciando a força e vitalidade desse setor.

Por fim, cabe destacar que o segmento do comércio e serviços tem papel essencial na manutenção das receitas estaduais, especialmente com a arrecadação de impostos como o ICMS. Segundo a Secretaria da Fazenda do Amazonas, no ano de 2024, o setor foi responsável por mais da metade da arrecadação estadual do ICMS, alcançando 57,1% e garantindo recursos para investimentos em saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.